Comprar casa: um ato tipicamente português

No momento de procurar habitação, os portugueses têm uma apetência natural para a aquisição de um imóvel em detrimento do arrendamento.

É provavelmente que este facto, juntamente com um grande apetite de investidores estrangeiros por este cantinho da Europa, tenha provocado a escalada de preços dos imóveis, não só nas principais cidades do país, mas também em áreas metropolitanas dos grandes centros urbanos.  A procura não para e o produto escasseia, em particular na construção nova.

Todos os meses vemos notícias sobre valores recorde nas avaliações bancárias, reforçado por notícias recentes sobre um crescimento médio de 16% em relação ao ano anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

É neste cenário de visível “otimismo imobiliário” que aparece essa “nuvem negra” chamada inflação. O aumento generalizado do custo de vida deverá ser acompanhado pela subida dos custos do crédito à habitação, que tem estado na onda das notícias, com as constantes subidas das taxas Euribor para valores positivos e máximos desde 2015.

Perante este panorama, qualquer potencial comprador pode naturalmente pensar: “será esta a altura certa para adquirir um imóvel?”. A compra de uma casa é, por norma, o maior investimento que um contribuinte faz na vida, por isso deve ser feito de forma sensata e prudente.

Assumindo que fazemos parte do grande grupo de portugueses que recorrem a crédito, a primeira ação que se deve fazer é consultar várias instituições bancárias para perceber a viabilidade para financiamento. Se a resposta for positiva, há que perceber quais são as propostas que os bancos podem apresentar, nomeadamente:

  • Spread: se mais baixo que o normal do mercado, porquê? Muitas vezes o desconto do spread vem acompanhado com a obrigatoriedade de cartões de crédito (que têm taxas elevadas) ou seguros (que saem mais caros por ter de ser com a companhia associada ao banco). É também normal que o banco peça a domiciliação do vencimento ou o pagamento de serviços (ex: custo com a energia elétrica, gás, consumo de água, etc.) para garantir o tal spread especial.
  • Taxa do crédito: variável ou fixa? Historicamente, a taxa variável é a mais usada em Portugal. Mas como o próprio nome diz, pode variar consoante a taxa Euribor que, como referido anteriormente, tem vindo a subir. É importante pedir propostas para ambas as situações, simulando também uma taxa variável tendo em conta o presumível aumento da Euribor.

Importante referir que a maior parte dos empréstimos vai até ao máximo de 80% da avaliação bancária, por isso outro princípio obrigatório é ter algum capital próprio.

Depois, há que perceber o tipo de imóvel e se o presumível valor de compra está em conformidade com os valores de mercado (tendo em conta o tipo de imóvel, o estado de conservação interior e exterior e a localização). Este último facto é provavelmente o que mais influi no valor do imóvel. É comum dizer-se que os três principais fatores que influem no valor do imóvel são: a localização, a localização e, por fim, a localização!

A compra de casa é um ato intrínseco ao povo português. Se for feito de forma pensada e responsável, pode ter poucos riscos, pois o investimento imobiliário continua a ser bastante atrativo e é um capital seguro a médio/longo prazo. A espera por preços mais baixos ou por melhores condições de crédito, pode ainda demorar.

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2022-10-10T10:52:51+00:00